sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Apocalipse zumbi como metáfora da pandemia

Inicialmente este pequeno ensaio foi concebido como trabalho de conclusão da disciplina Tópicos Especiais História da Filosofia Contemporânea I, ministrado pela Profa. Dra. Juliana Fausto e Prof. Dr. Marco Antonio Valentim, disciplina ofertada no curso de graduação do curso de filosofia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) . Agradeço aos amigos Matheus Garcia e Tayeshi Kadosaki pelos comentários durante a formulação do ensaio.


Estamos nós, os humanos, histéricos, diante
da possibilidade do fim do nosso mundo.
Enquanto isso, para a manutenção do que
pretendemos salvar, aniquilamos
diariamente muitos mundos e ponto de vista.*


Ao longo da história, a filosofia é tida como inútil, na contemporaneidade não é
diferente. Mesmo em contexto de pandemia, a filosofia, consequentemente, os filósofos,
são tidos como inúteis. Entretanto, a filosofia, não tem a pretensão de propor uma solução
que erradique ou minimize o corona vírus (COVID-19), ou seja, a contribuição da filosofia
é mais modesta comparada com as demais áreas do conhecimento como a biologia ou a
medicina. A contribuição da filosofia está na reflexão e no desdobramento da mesma. A
finalidade deste texto é propor uma reflexão que contribua de algum modo no debate
político sobre a pandemia do COVID-19 através da imagem que temos sobre o apocalipse zumbi.
Percebemos, assim, como a questão da extinção é moldada, em
um certo imaginário, segundo categorias da ficção científica. A
antropóloga Genese Sodikoff, a esse respeito, comentou que “a
adoção, por parte dos biólogos conservacionistas, da metáfora do
zumbi [...] e a imensa popularidade dos temas apocalípticos e de
zumbi nas TVs europeia e americana diz algo sobre a experiência
subjetiva da mudança planetária no Norte do globo e sobre os
modos como projetamos a forma das coisas que virão. ‘Este é
nosso evento de extinção’, diz um personagem na série de zumbis
The Walking Dead” (FAUSTO, 2015, p. 04).
 A extinção da espécie humana sempre esteve no imaginário do mesmo, a partir
dos meados da década dos anos 1960, a sugestão de um apocalipse zumbi começa a ser
apresentado as massas através do cinema. Damos destaque ao primeiro filme da trilogia
dos mortos-vivos do diretor estadunidense George Romero, Night of the Living Dead
(1968). No longa-metragem somos apresentados a um casal de irmãos que são atacados
por um personagem misterioso (morto-vivo), após sobreviver ao ataque da criatura, a
garota Barbara foge para uma casa que supostamente não tem ninguém na casa, para a
surpresa da jovem sobrevivente, existe um pequeno grupo de sobreviventes na casa que
surgem com o desenrolar da trama, juntos os personagens tentam descobrir como os
mortos-vivos foram reanimados, ao mesmo tempo tentam sobreviver a nova ameaça,
uma ameaça que não ser contida, uma ameaça que pode extinguir a espécie humana da
face do planeta. Após o sucesso do longa-metragem, Romero, ira retornar a temática do apocalipse zumbi em produções posteriores, além dos filmes de Romero, outros cineastas
irão abordar a temática do apocalipse zumbi (ao seu modo) no cinema, ou seja, o
apocalipse zumbi tornou-se pop. 
O enredo dos filmes é quase sempre o mesmo: um vírus ou
infecção, geralmente causado por intervenção humana direta
(uma tentativa de vacina ou outro experimento médico que deu
errado) contamina, em pouco tempo, grande parte da
humanidade, que se converte em zumbis, mortos-vivos que
perseguem os poucos não contaminados para contagiá-los ou
comê-los**.
 Partimos do pressuposto que o apocalipse zumbi é resultado da hiperaceleração
do capitalismo, isto é, o homem provocou a sua própria destruição. Entretanto, além de
não estar preocupado com a extinção da própria espécie, o regime capitalista contribui
para a extinção de outras espécies, a especie não-humana. Antes de dar prosseguimento
é valido dizer que o que denominamos como não-humano é aquele que não se encaixa na
lógica capitalista, ou seja, são os povos indígenas, comunidades quilombolas, árvores,
animais, rios e etc.
Ailton Krenak, em seu livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo (2019), convida
o leitor a refletir sobre o conceito de humanidade: “Talvez estejamos muito condicionados
a uma ideia de humano e a um tipo de existência. Se a gente desestabilizar esse padrão,
talvez a nossa mente sofra uma espécie de ruptura, como se caíssemos num abismo”
(KRENAK, 2019, p. 29).
Segundo a proposição de Krenak, o conceito de humanidade proposta pela modernidade
não é suficiente quando tentamos refletir/dialogar com os demais povos, sejam eles
humanos ou não humanos. No posfácio do livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo,
redigido por Eduardo Viveiros de Castro, a crítica de Krenak é mais explicito ainda:
“A pergunta que Ailton Krenak dirige aos leitores neste livro é tão simples quanto
inquietante: «Somos mesmo uma humanidade?»”(VIVEIROS DE CASTRO, 2020, p. 2).
Se a horda zumbi é resultado da hiperaceleração do capitalismo, os humanos
remanescentes são aqueles que os modernos chamavam de selvagens ou não-humanos,
isto é, povos que não aderiram ao sistema capitalista e vivem
marginalmente/paralelamente a esse sistema, em outras palavras, os humanos
remanescentes são as comunidades quilombolas e as tribos indígenas.
Ao subverter a raciocínio moderno, isto é, ao tomarmos o apocalipse zumbi como
consequência e estágio final do capitalismo e declararmos que os humanos remanescentes
serão os não-humanos (indígenas e quilombolas), percebemos que houve uma virada
(subversão) ontológica. Em outras palavras, o pensamento moderno não é o suficiente
para compreendermos a realidade. Se insistirmos no projeto moderno, isto é, o
capitalismo, a espécie humana estará fadada à extinção, é necessário que haja meios para
reverter tal cenário, isto é, um final catastrófico. 
Um vírus é um parasita que se replica às custas de seu hospedeiro, às
vezes matando-o. É isso que o capitalismo tem feito com a Terra desde
o início da revolução industrial, durante muito tempo sem sabê-lo.
Agora sabemos, mas parece que temos medo da cura, que também
conhecemos, ou seja, uma reviravolta em nossos modos de vida***.
Assim como o vírus zumbi, o capitalismo também é um vírus, como aponta
Descola, entretanto, insistimos em tentar conviver “harmoniosamente” com esse vírus, no
entretanto, como é demonstrado nos filmes de zumbi, e também com o advento da pandemia,
é impossível coexistir de modo harmonioso com o vírus, ou seja, o que está em jogo não
é a retórica ou o discurso político (embora exista um projeto político de extermínio,
promovido por governos autoritários/neofascistas), o que está em jogo é a vida, vida
humana, não-humana e as demais cosmologias existentes no planeta.
O advento da pandemia do COVID-19 trouxe a tona a ineficácia do modelo
capitalista (e também do modelo neoliberal), se a espécie humana insistir em prosseguir
com o capitalismo, a vida será extinta, os novos habitantes do planeta será os monstros,
isto é, zumbis e máquinas. Um possível modo da espécie humana existir no planeta é
coexistindo harmoniosamente com os não-humanos, ou seja, o humano além de conviver
deve apreender e compreender a cultura e a ciência/metafísica não humana para que
ambos possam adiar o fim do mundo de um modo tão catastrófico.

 *FAUSTO, Juliana. Rato candango, homem zumbi. PISEAGRAMA, Belo Horizonte, número 08, página 12 -17, 2015. Disponível em: https://piseagrama.org/rato-candango-homem-zumbi/. Acessado em Agosto de 2020.
** CERA, Flávia; NODARI, Alexandre. A horda zumbi. RaSTROS, 6: 1-4. Disponível em: http://culturaebarbarie.org/rastros/rastrosn6s.pdf. Acessado em agosto de 2020.
***DESCOLA, Philippe. Nós nos tornamos vírus para o planeta. In: Pandemia Crítica (n-1 edições), n. 75. Disponível em: https://www.n-1edicoes.org/textos/137. Acessado em agosto de 2020.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Super-Heróis e autoritarismo

Tanto nos quadrinhos, quanto nas animações, comumente os vilões são tidos como representantes do autoritarismo, personagens como Adão Negro e Doutor Destino são exemplos de lideres autoritários. Entretanto, alguns heróis já foram retratados como lideres autoritários, o videogame Injustice: God Among Us  aborda essa problemática. No videogame, após uma tragédia, o filho de Krypton, Superman decide instaurar uma nova ordem mundial, ou seja, Superman tornou-se um ditador.
No universo de Injustice o temor de Lex Luthor tornou-se realidade, Superman, voltou-se contra humanidade. Nem mesmo Atlântida ou Themyscira resistiram ao regime autoritário de Kal-El. A Liga da Justiça deste universo é dissolvida. Deste modo, é possível fazer a seguinte pergunta: como resistir a um governo autoritário que é liderado por uma entidade quase divina?
Para darmos prosseguimento da reflexão é interessante tentar definir o conceito de autoritarismo*.
Nos regimes autoritários a penetração-mobilização da sociedade é limitada: entre Estado e sociedade permanece uma linha de fronteira muito precisa. Enquanto o pluralismo partidário é suprimido de direito ou de fato, muitos grupos importantes de pressão mantêm grande parte da sua autonomia e por consequência o Governo desenvolve ao menos em parte uma função de árbitro a seu respeito e encontra neles um limite para o próprio poder. Também o controle da educação e dos meios de comunicação não vai além de certos limites. Muitas vezes é tolerada até a oposição, se esta não for aberta e pública. Para alcançar seu objetivos, os Governos autoritários podem recorrer apenas aos instrumentos tradicionais do poder político: exercito, polícia, magistratura e burocracia.
Entretanto, existe um pequeno grupo que resiste ao regime instaurado pelo filho de Krypton. Além disso, acidentalmente alguns integrantes da liga e o Coringa de outra realidade chegam a realidade em que Superman é um ditador, com isso os viajantes decidem aderir a resistência e derrubar o regime.
Com esta breve apresentação do enredo do jogo, é possível traçar uma relação entre a narrativa do jogo e atual crise política: o desgaste da democracia.  Mesmo com eventos catastróficos como a II Guerra Mundial, isto é, a ascensão de a Hitler e o genocídio promovido pelos regimes de natureza autoritária, mesmo  após 75 anos, a sociedade  contemporânea insiste em preservar e difundir em discursos de ódio, consequentemente, gerando conflitos que corroboram com o fim da democracia, deste modo contribuindo com regimes autoritários mais intolerante e violento do que no passado. 
Uma possível resposta para tal inquietação é afirmar que não sabemos lidar com a nossa liberdade e prosperidade social, ou seja, a liberdade não deve ser alcançada, sendo assim, para manter o status quo em funcionamento, o discurso autoritário ganha notoriedade, pois, ter liberdade é questionar o status quo  e para de acordo com certos círculos políticos o status quo deve ser mantido a qualquer custo, mesmo que seja através da coerção.
Retornando a Injustice, a resistência consegue destituir Superman do poder, ou seja, liberdade é reinstaurada. Deste modo podemos concluir que mesmo com as suas lacunas, a democracia deve ser preservada, isto é, a democracia é um regime ainda eficiente. 
"A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela" Winston Churchill.

  *Trecho do verbete Autoritarismo, Dicionário de Política, Noberto Bobbio et al.  

Para assistir:


 


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Seria os super-heróis agentes do Estado?

Desde as suas primeiras aparições nas histórias em quadrinhos, personagens como Capitão América, Sargento Rock ,Super-Homem e Tocha Humana (Jim Hammond) participaram da II Guerra Mundial ao lado dos Aliados contra o Eixo, ou seja, os super-heróis desenvolveram um grande papel durante a guerra no imaginário dos leitores e também no próprio universo das histórias em quadrinhos. Com a popularização dos super-heróis nos quadrinhos, logo foram adaptados para o rádio, cinema, jogos eletrônicos e a televisão. Mesmo tratando de personagens ficcionais é interessante levantarmos algumas questões: os super-heróis respondem a quem? seriam os super-heróis funcionários do Estado?
Um modo de tentar responder as questões acima, é importante retomarmos outra questão: o que é ser super-herói?
Comumente o super-herói é aquele que possui características virtuosas: bondoso, coragem, defensor dos fracos e oprimidos, o super-herói também são tido como referência de padrão estética: corpo perfeito, cabelo alinhado e etc... o vigilante também é retratado como alguém altruísta, isto é, as suas ações são voltadas ao bem-estar da sociedade. 
Partindo deste pressuposto podemos compreender o porque de personagens como Capitão América e Superman são tidos super-heróis, entretanto, partindo do pressuposto mencionado acima, percebemos que surge um novo problema: O que faz os personagens como Comediante e Dr. Manhattan serem considerados como super-heróis? O primeiro é um criminoso de guerra, cometeu inúmeras atrocidades na guerra do Vietnã, além disso, tentou estuprar sua colega de trabalho, a também combatente do crime Espectral I, mesmo promovendo inúmeros atos perversos, o Comediante possui legitimidade de atuar como super-herói em solo americano, ou seja, percebemos que existe uma intervenção do Estado (EUA) sobre o controverso herói.
Ainda no universo de Watchmen, temos Dr. Manhattan, um físico nuclear que adquiriu habilidades sobre-humanas, considerado por seus pares como um ser quase divino. Mesmo sendo o único com habilidades sobre-humanas Dr. Manhattan perdeu a sua essência humana, ou seja, Dr. Manhattan não usa as suas habilidades em prol da humanidade, no entanto, mesmo não desenvolvendo afetos com a humanidade, Manhattan é usado como arma ambulante (e ideológica) pelo Estado, ou seja, também de modo controverso Dr. Manhattan é reconhecido como super-herói. 
Retornando ao universo convencional de super-heróis a relação entre os vigilantes mascarados e o Estado são explorados: Na HQ de Frank Miller, Batman: O Cavaleiro das Trevas conhecemos um mundo sem super-heróis, são considerados como foras da lei, o único super-herói na ativa é o Superman, no entanto, ele não é mais um super-herói, o kryptoniano é um funcionário do Estado, isto é, de modo consensual, o escuteiro azul concede as suas habilidades para que os EUA expanda o seu poder de influência sobre as demais nações. 
Ao mencionar alguns personagens de certas história em quadrinhos, percebemos que existe uma relação entre o governo e os super-heróis. Deste modo, é possível chegar a seguinte conclusão: não existem super-heróis, mas sim super-agentes. Partindo do pressuposto da existência de super-agentes podemos fazer a seguinte pergunta: o que difere um super-agente de um mercenário? O que difere o Superman do Exterminador ou o Homem de Ferro do Deadpool?
Ainda sobre o que significa ser super-herói vale a pena mencionar Guerra Civil Marvel (2006 - 2007).
Após um incidente desastroso envolvendo a comunidade de super-heróis, deste modo, o governo lança 
a Lei de Registro de Super-Herói, na qual as identidades dos heróis são reveladas, assim como os mesmos serão transformados em funcionários das Nações Unidas, ou seja, a autonomia e a segurança dos heróis são restringidas.  De um lado temos Tony Stark, o Homem de Ferro, um entusiasta da Lei de Registro, de outro, temos Steve Roger, o Capitão América que discorda da Lei de Registro, sendo assim, inicia-se uma tensão interna entre os heróis, por um lado liderados pelo Homem de Ferro, os favoráveis a Lei de Registro, e de outro, liderados pelo Capitão América, que são contra a Lei de Registro. Para o supersoldado os super-heróis estão acima de qualquer governo, portanto possuem autonomia, logo são livres. 
Diferente do Estado, devido o seu caráter altruísta , o super-herói sabe de fato que é o bem e o que é o mal. O Capitão América combateu a ameaça nazista, o Super-Homem combateu e combate ameaças como Lex Luthor ou Darkseid, não porque algum governo solicitou ajuda, eles combateram porque o senso de justiça e de liberdade estão acima de qualquer ideologia. 
Sendo assim, percebemos que existe um relação intrínseca entre o super-herói e a liberdade, além desta relação, também podemos perceber que o super-herói surge em tempos de crise em que a sociedade se encontra. Por mais que seja fictício, a ideia de um salvador da humanidade é crucial para que haja esperança*.  
 
*Também vale destacar que ao mesmo tempo que a personificação de um herói seja importante pois, traz esperança para a sociedade, a mesma imagem do herói pode trazer a ruína de uma sociedade, pois a partir da personificação do herói surge o governante autoritário. Ver: Alan Moore e David Lloyd. V de Vingança.; Injustice: God Among Us.  

Para assistir:

Para ler:

Frank Miller. Batman: O cavaleiro das trevas.
J. M. Dematteis, Keith Giffen. Liga da Justiça Internacional.
Victor Callari. Guerra Civil Super Heróis, Terrorismo e Contraterrorismo nas Histórias em Quadrinhos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Teorias da conspiração e a pós-verdade

Agradeço a Sérgio Queiroz pelos comentários durante a formulação deste texto.

Desde o seu surgimento a filosofia e as demais áreas do conhecimento tem dedicado a investigar e compreender um dos conceitos mais difundido e utilizado pela sociedade, que é o conceito de verdade. Cotidianamente a verdade é evocada pelo indivíduo ou certos grupos sociais. Mesmo sendo um conceito difundido regularmente, não há um consenso do que é e identificamos como verdade/verdadeiro. Por não haver consenso sobre o que é verdade é possível afirmar que é a verdade é uma entidade abstrata. Deste modo, o conceito de verdade é objeto de estudo da epistemologia e também da metafísica.
No discurso político, a noção de verdade também é mencionada rotineiramente, em algumas ocasiões até banalizada. Em tempos de teorias da conspiração, fake news são difundidas com frequência através da mídia e redes sociais e o discursos alinhados à pós-política e  pós-verdade é pertinente comentar sobre o que é a verdade e os seus desdobramentos.  
Na contemporaneidade podemos ver a deturpação do conceito verdade nas teorias da conspiração, as séries estadunidenses televisivas The X-Files (1993-2018) e Project Blue Book (2019-2020) contribuem para compreendermos como funciona a construção das teorias da conspiração e seus desdobramentos no campo político e nas massas.
Tanto em The X-Files quanto em Project Blue Book, percebemos que a teoria da conspiração surge a partir da desconfiança/paranoia e descrença na ciência e na narrativa histórica oficial, percebemos estas atitudes em personagens como Os Pistoleiros Solitários e Fox Mulder (The X-Files) e Dr. J. Allen Hynek (Project Blue Book). Em ambas as séries a trama se passa em torno da questão sobre a ufologia, isto é, estamos sozinhos no universo? Se sim, por que o governo (estadunidense) oculta a existência de alienígenas do grande público? Em ambas as tramas percebemos que a narrativa oficial, isto é, a verdade que conhecemos não passa de uma manipulação orquestrada por um grupo ultrassecreto, sendo este grupo mais poderoso e influente do que os líderes das grandes potências mundiais. A partir desta constatação, cabe aos protagonistas confrontar este grupo e expor a verdade para o grande público. Embora a proposta das séries seja apenas de entreter o espectador, ambas as séries contribui para situar e compreender o debate sobre o revisionismo*/negacionismo que visa deturpar o que chamamos de verdade e narrativas oficiais. 
Para darmos  prosseguimento recorreremos a algumas definições sobre verdade**:

Dicionário de Filosofia Nicola Abbagno. Verbete Verdade.
Validade ou eficácia dos procedimentos cognoscitivos. Em geral, entende-se por verdade a qualidade me virtude da qual um procedimento cognoscitivo qualquer torna-se eficaz ou obtém êxito. Essa caracterização pode ser aplicada tanto às concepções segundo as quais o conhecimento é um processo linguístico ou semiótico. Ademais, tem a vantagem de prescindir da distinção entre definição de verdade e critério de verdade. Essa distinção nem sempre é feita, nem é frequente; quando feita, representa apenas a admissão de duas definições de verdade. Por exemplo, quando se faz a distinção entre teoria da correspondência e critério de verdade, este é definido como evidência recorrendo-se ao conceito de verdade como revelação, e a teoria da verdade como conformidade a uma regra apresentada por Kant como critério formal ao lado do conceito de verdade como correspondência, torna-se então uma definição da própria verdade. 

Dicionário Oxford de filosofia. Verbete Teoria da verdade como coerência.
Perspectiva de que a verdade de uma proposição consiste em pertencer a um certo conjunto apropriadamente definido de outras proposições: um conjunto consistente, coerente e possivelmente ainda dotado de outras virtudes, desde que não sejam definidas em termos de verdade. Esta teoria, apesar de surpreendente à primeira vista, tem dois pontos fortes: (I) é verdade que testamos  as crenças quanto à sua luz de outras crenças (entre elas crenças perspectivas); (II) não podemos sair do nosso melhor sistema de crenças, para ver como está ele se saindo em termos de sua correspondência com o mundo. 

Dicionário Oxford de filosofia. Verbete Verdades necessárias/contingentes.

Uma verdade necessária é aquela que não poderia ser outra coisa. É uma verdade que é sempre verdadeira sob quaisquer circunstâncias. Uma verdade contingente é aquela que é verdadeira, mas que poderia ter sido falsa. Uma verdade necessária é a que tem de ser verdadeira; uma verdade contingente é a que acontece de ser verdadeira, ou que é verdadeira tal como as coisas são, mas que não tinha de ser verdadeira.

Ao longo da história percebemos o papel que as teorias da conspiração tiveram em certos grupos políticos, antes da ascensão do nazismo na Alemanha, os judeus foram alvos das teorias da conspiração. O filme alemão Nosferatu (1922) de modo subjetivo, através do personagem do Conde Orlok e a cena do navio com os ratos contribuiu para denegrir ainda mais a reputação dos judeus. Outra obra que contribui grandemente para a fomentação de teorias da conspiração contra o povo judeu é o texto Os Protocolos dos Sábios de Sião (1903). Deste modo, percebemos a relevância do negacionismo e a propagação das teorias da conspiração para os regimes autoritários que surgiram ao longo da história, como o fascismo e o nazismo, damos mais destaque ao último pois as propagandas e o discursos do nazismo são "fundamentados" em teorias da conspiração.                                                            Ainda sobre as teorias da conspiração, é possível relacionarmos com o conceito de pós-verdade. Em poucas palavras podemos definir pós-verdade como uma extrapolação da verdade, em outras palavras, com a verdade é relativa, não existe verdade. Entretanto, se aceitarmos tais premissas: que a verdade é relativa ou que a verdade se resume a retórica, estaremos aceitando o discurso anticientífico, consequentemente estaremos contribuindo para o obscurantismo da ciência. Deste modo, ao invés do futuro da humanidade ser próspera, o futuro da humanidade estaria fadada a regressão. Ou seja, a pós-política e a pós-verdade são instrumentos subjetivos que contribui para a consolidação de uma sociedade do controle. Uma sociedade que se voluntariou para ser um detento, isto é, a sociedade contemporânea vive em uma prisão ao ar livre.                                                                                                               Para concluir cabe fazer a seguinte questão: com todo o avanço científico/tecnológico estaria a humanidade condenado a catástrofe como foi retratado no final do filme  Planeta dos Macacos (1968) ou a um futuro distópico como retratado no livro de George Orwell 1984?

*Sobre o revisionismo cabe fazer o seguinte ressalto: ao longo da história o revisionismo é usado para avançarmos, seja conceitualmente, seja no sentido prático da coisa. A crítica que pretendemos fazer ao revisionismo é o mal uso do conceito.
** Por questão de espaço foram selecionados trechos dos verbetes.

Para assistir:


Para assistir (séries):

The X-Files (1993-2018)
Project Blue Book (2019-2020)

Para ler:


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

One Piece, anarquismo e liberdade

O mangá de Eiichiro Oda, One Piece (1997- ) certamente é um dos mangás mais difundido e longevo da atualidade, o mangá ganhou uma adaptação animada em 1999, que também está no ar até o momento. One Piece pertence ao gênero shounen, comumente este gênero é voltado ao publico adolescente masculino, o shounen basicamente segue a seguinte formula: acompanhamos o desenvolvimento do personagem principal (jornada do herói) e lutas entre personagens masculinos fortes.
Em One Piece, acompanhamos  as aventuras de um jovem pirata Monkey D. Luffy e sua tripulação, os Piratas do Chapéus de Palha, além de enfrentar outros piratas e a marinha (Estado), Luffy possui o objetivo de tornar-se o maior pirata de todos os tempos, o Rei dos Piratas, título que pertenceu ao lendário Gold D. Roger. Entretanto, se analisarmos a obra de Eiichiro Oda, perceberemos que One Piece não é apenas um produto de entretenimento, a obra de Oda possui algumas provocações, isto é, instiga o leitor/telespectador.
One Piece aborda temas como autoritarismo, gênero e racismo. Aqui daremos atenção ao debate político que a mangá/anime proporciona, abordaremos a relação entre anarquia e liberdade.
Em One Piece personagens como Gold D. Roger, Monkey D. Dragon, Monkey D. Luffy, Sabo e até mesmo Marshall D. Teach  prezam a liberdade mais do que qualquer coisa, para eles, toda forma de autoritarismo é reprovável, pois limita a liberdade. O grupo comandado por Dragon, os revolucionários, tem como principal objetivo derrubar o Governo Mundial (Estado) e devolver a liberdade a população, deste modo, os revolucionários comandados por Dragon podem ser interpretados como uma alusão aos anarquistas.
Para dar prosseguimento, recorreremos ao verbete anarquismo do Dicionário de Política, do Norberto Bobbio.
O termo Anarquismo, ao qual frequentemente é associado o de "anarquia", tem uma origem precisa do grego anarkhia, sem Governo: através deste vocábulo se indicou sempre uma sociedade, livre de todo o domínio político autoritário, na qual o homem se afirmaria apenas através da própria ação exercida livremente num contexto sócio-político em que todos deverão ser livres. Anarquismo significou, portanto, a libertação de todo o poder superior, fosse ele de ordem ideológica (religião, doutrinas, políticas, etc.), fosse de ordem política (estrutura administrativa hierarquizada), de ordem econômica (propriedade dos meios de produção), de ordem social (integração numa classe ou num grupo determinado), ou até de ordem jurídica (a lei). A estes motivos se junta o impulso geral para a liberdade. Daí provem o rótulo de libertarismo, atribuído ao movimento, e de libertário, empregado para designar o que adere ao libertarismo. 
Precisados os termos, por Anarquismo se entende o movimento que atribui, ao homem como indivíduo à coletividade, o direito de usufruir toda a liberdade, sem limitação de normas, de espaço, de tempo, fora dos limites existenciais do próprio indivíduo: liberdade de agir sem ser oprimido por qualquer tipo de autoridade, admitindo unicamente os obstáculos da natureza, da "opinião", do "senso comum" e da vontade da comunidade geral - aos quais o indivíduo adapta se constrangimento, por um ato livre de vontade. Tal definição genérica, avaliada de diversas maneiras  por pensadores e movimentos rotulados de anárquicos, pode ser sintetizada através das palavras retomadas em nosso século, por volta dos anos 20, pelo anárquico Sebastien Faure na Encyclopédie anarchiste: "A doutrina anárquica resume-se numa única palavra: liberdade"
Deste modo, percebemos a relação entre anarquismo e liberdade são intrínsecos. Mesmo sendo um conceito metafísico, a noção de liberdade possui desdobramentos na política, ao longo da história da civilização ocidental percebemos que a noção de liberdade foi modificada ao longo do tempo e também pelos grupos políticos (progressista ou reacionária). 
Partindo da concepção tradicional da filosofia, isto é, a partir do verbete liberdade tentaremos definir o que é liberdade*.
 Liberdade como autodeterminação ou autocausalidade, segundo a qual a liberdade é a ausência de condições e limites. II liberdade como necessidade, que se baseia no mesmo conceito da precedente, a auto determinação, mas atribuindo-a à totalidade a que o homem pertence (Mundo, Substancia, Estado); III liberdade como possibilidade de escolha, segundo a qual liberdade é limitada e condicionada, isto é, finita. Não constituem conceitos diferentes as formas que a liberdade assume nos vários campos, como por exemplo liberdade metafísica, liberdade moral, liberdade política, liberdade econômica e etc. A disputas metafísicas, morais políticas, econômicas, etc, em torno da liberdade são dominadas pelos três conceitos em questão, aos quais, portanto, podem ser remetidas as formas específicas de liberdade sobre as quais essas disputas versam.
Entretanto cabe fazer a seguinte questão: o que significa liberdade segundo uma concepção anarquista?
Assim como a maioria dos personagens de One Piece, ao refletir o que entendemos como liberdade, perceberemos que o que chamamos de liberdade não passa de uma construção social, ou um instrumento de controle do sistema capitalista. 
A partir da perspectiva anarquista é possível compreender a concepção de liberdade proposta pela democracia/capitalista como mera retorica, isto é, além de ser insuficiente e um instrumento da alienação a liberdade não é emancipatória. Segundo a perspectiva anarquista, a liberdade só é possível através de alguma revolução social, a partir disso é possível articular novos meios de vida.
Ao longo da trama de One Piece percebemos os impactos das revoluções/batalhas nos arcos da história, personagens como Gold. D. Roger Monkey D. Luffy, Monkey D. Dragon  e Kozuki Oden são personagens que expressam o ideal anarquista, além disso, percebemos qual arriscado é almejar a liberdade em sua totalidade, entretanto, os personagens não desistem de seus objetivos, deste modo, vale destacar a importância da proposição "determinação de..." na obra de Oda. 
Assim como as demais vertentes políticas, o anarquismo propõem um modo de vida, cabe ao individuo/sociedade decidir a manter o status quo, isto é, continuar a ter uma vida relativamente cômoda ou aderir aos modos de vidas alternativos... 

*o trecho (incompleto) do verbete Liberdade foi retirado do Dicionário de Filosofia, de Nicola Abbagnano.

Para Assistir:



Para ler:
Caio Túlio Costa. O que é anarquismo.
George Woodcock. Os grandes escritos anarquistas.
Noam Chomsky. Notas sobre o anarquismo.


terça-feira, 21 de julho de 2020

Superman e Übermensch

Existe alguma relação entre o super-homem da DC Comics com o super-homem proposto por Nietzsche? De um lado temos um dos maiores ícones da cultura pop e de outro um filósofo pop, entretanto, tentar traçar uma relação entre o personagem das HQs com o personagem do filósofo é equivocado, mas nada impede tomar como ponto de partida este tópico e expor as divergências destes personagens ou até mesmo servir como pretexto para conhecer um pouco da filosofia nietzschiana.
O personagem super-homem, criado pelos jovens Jerry Siegel e Joe Shuster na revista Action Comics nry 01, junho de 1938, é considerado um marco nas histórias em quadrinhos estadunidense, é o primeiro quadrinho de super-herói, ou seja, o super-homem é o primeiro super-herói dos quadrinhos, deste modo, inaugurando a Era de Ouro dos quadrinhos. O personagem criado pela dupla é uma tentativa de entreter o leitor, isto é, fazer o leitor esquecer da crise financeira na qual a população estadunidense se encontrava, além das sequelas da crise de 29, a probabilidade dos EUA de participar na guerra na Europa vinha aumentando.
O super-homem surge como o ultimo sobrevivente de seu planeta (Krypton), ao ser encontrado pelo casal Kent, o alienígena, aparentemente semelhante a um humano, é criado com os preceitos humanos, isto é, o jovem Clark Kent é influenciado pelos ensinamentos morais de seus pais, com o passar do tempo, o garoto descobre haver habilidades sobre-humanas e decide usar elas em prol da humanidade, desse modo, o filho de Krypton se torna o guardião da Terra, o defensor dos fracos e oprimidos.
Mesmo sendo um alienígena, o super-homem é influenciado pelas características humanas, ou seja, o filho de Krypton pode ser considerado um aristotélico. Mesmo possuindo habilidades sobre-humanas, quase divina, Superman não é egoísta, seu objetivo é proteger a humanidade, além disso, incentiva a humanidade a fazerem o bem sem esperar nada em troca, ou seja, Superman é altruísta. 
Deste modo, chegamos na conclusão que o super-homem das HQs diverge com o super-homem de Nietzsche.
Übermensch de Nietzsche, pode ser traduzido como super-homem ou além-do-homem, devido a essa dualidade na tradução é compreensível haver uma alusão/confusão entre os dois super-homem, a dos quadrinhos e a do bigodudo. 
O Übermensch não corresponde a moralidade imposta pelo cristianismo, ou seja,  para o além-do-homem não faz sentido se prender a ética cristã, de algum modo, o personagem de Nietzsche superou o cristianismo. A partir desta brevíssima apresentação sobre o super-homem de Nietzsche, percebemos que super-homem proposto pelo filósofo alemão é uma critica a ética e a metafísica cristã, enquanto o super-homem de Joe Shuster e Jerry Siegel, mesmo sendo judeus, enaltece a ética cristã e também contribui para uma idealização de um ser benevolente, isto é, um ser divino, com as mesmas qualidades de Deus, em varias ocasiões, principalmente no filme Superman: O Retorno (2006), o personagem é retratado como uma alusão cristianismo, isto é, o kryptoniano se sacrifica para salvar a humanidade, ou seja, enquanto o Übermensch superou o cristianismo, Kal-El pode ser interpretado como uma alusão ao cristianismo.
Embora devido a nomenclatura dos personagens serem semelhantes, existe uma divergência filosófica, isto é,  mesmo possuindo nomenclaturas semelhantes, a filosofia que ambos representam convergem em seus desdobramentos, entretanto, ambos servem para introduzir-se a filosofia. 

Para assistir:


Para ler:

Gelson Weschenfelder: Filosofando com os super-heróis.
William Irwin (org.). Superman e a filosofia.
 

domingo, 5 de julho de 2020

O determinismo é pop

O que faz o determinismo ser tão instigante?  Produções de entretenimento como Dark (2017-2020), Exterminador do Futuro (1984), Matrix (1999) e Os 12 Macacos (1995) de algum modo instiga o espectador a refletir sobre o determinismo. O que faz o determinismo, um conceito filosófico, ser tão abordado na literatura da ficção científica? Seria o livre-arbítrio uma ilusão social e tudo já está determinado?
Constantemente o conceito de determinismo é mencionado por diferentes áreas do conhecimento como filosofia, física e teologia.Mas ao falarmos sobre determinismo, outros conceitos surgem, são eles: livre-arbítrio e tempo. Neste momento recorreremos a definição destes conceitos*.

Determinismo: Doutrina segundo qual tudo que acontece tem uma causa. A explicação habitual dessa ideia consiste em defender que, para qualquer acontecimento, existe um estado anterior relacionado a ele de tal maneira que não poderia (sem violar uma lei da natureza) existir, sem que existisse o acontecimento.
Livre-arbítrio:  O problema consiste em reconciliar a consciência cotidiana de nós mesmos como agentes, com a melhor teoria que a ciência oferece sobre nós.
Tempo: A natureza do tempo tem sido um dos maiores problemas filosóficos  desde a Antiguidade. Concebemos bem o tempo quando o concebemos como um fluxo? Se é esse o caso, o tempo flui do futuro para o passado, mantendo-nos como barcos presos no meio de um rio? Ou flui do passado para o futuro, transportando-nos com ele?
No passado, filósofos como Espinosa, Leibniz, Pierre -Simon Laplace e Santo Agostinho foram cruciais para o debate sobre os conceitos mencionados. Na contemporaneidade, influenciados ou não por estes pensadores, filósofos e físicos como Albert Einstein, Daniel Dennett, John Searle, Michio Kaku, Sam Harris  e Sean Carroll contribuem para os estudos e o debate. Mesmo com o avanço científico/tecnológico não há um consenso sobre o determinismo e o livre-arbítrio, ou seja, é possível que a humanidade se sobressaia perante o determinismo e consiga legitimar que há livre-arbítrio ou seria o livre-arbítrio uma armadilha do determinismo?
Tanto na graphic novel, na adaptação cinematográfica e de certa maneira, na minissérie televisiva Watchmen, o personagem Dr. Manhattan nos faz refletir sobre o livre-arbítrio ser uma ilusão, nem mesmo um ser quase divino como o Dr. Manhattan pode fugir ou alterar o que já está determinado.

Dr. Manhattan: A minha percepção de tempo a incomoda?
Laurie: Pra que a pergunta? Você já sabe a resposta. É tão absurdo. Quando eu te larguei... E a NOVA  EXPRESS fez as denuncias, você ficou surpreso. Por que... se já sabia que ia acontecer?
Dr. Manhattan: Tudo é predeterminado. Até as minhas reações.
Laurie: E você só segue a partitura, executando as notas? Então isso é você? O ser mai poderoso do universo e não passa de uma marionete seguindo um roteiro?
Dr. Manhattan: Todos nós somos, Laurie. Eu apenas sou uma marionete que vê as cordas**.

Mesmo que o livre-arbítrio seja um conceito atrelado a  metafísica, há implicações diretas na vida cotidiana da sociedade, tal implicação pode ser vista na política e na ética, a liberdade de escolhas do indivíduo desencadeia uma série de eventos que ira repercutir em pequenos grupos ou perante a sociedade como um todo.   
Sendo assim, podemos concluir que um conceito tão abstrato, amplo e complexo pode acarretar diretamente em nossas vidas, mesmo parecendo algo tão obscuro. A reflexão sobre o determinismo pode ser encontrado em diversos veículos da cultura pop e no debate científico/filosófico, na qual pode render horas de provocações.

*Os verbetes mencionados são trechos que são facilmente encontrados no Dicionário Oxford de filosofia.
** Trecho do diálogo de Watchmen, ed. n 09.

Para Assistir (filmes e séries):

Dark, 2017-2020.
Exterminador do futuro, 1984.
Exterminador do futuro 2, 1991.
Exterminador do futuro: As Cronicas de Sarah Connor, 2008-2009.
Matrix, 1999.
Matrix Reload, 2003.
Lost, 2004-2010.
Os 12 Macacos, 1995.
Os Agentes do Destino, 2011.

Para assistir (youtube):


Para ler: