Introdução
O que começou como
um movimento periférico para desenvolver os seres humanos além das restrições
naturais da espécie Homo sapiens, tornou-se, nos últimos anos, cada vez
mais popular. Esta tendência pode ser relacionada ao surgimento de tecnologias
que começam a tornar viável a mudança da forma humana de maneiras que seriam
improváveis ou impossíveis por meio da evolução “cega”. Fundamentalmente, há
duas dimensões nas quais a natureza humana poderia ser alterada pela ciência: a
humano-animal (biológica) e a humano-máquina (eletromecânica). Cada uma delas
será considerada individualmente, começando pela biológica.
Caminhos biológicos para
o aprimoramento humano
A genética
apresenta um papel fundamental em nossas vidas. Não abordaremos a história das
tentativas de direcionar propositalmente a composição genética dos indivíduos,
mas é necessário mencionar duas abordagens, mesmo que seja somente para
destacar suas limitações. Em primeiro lugar, passaram-se mais de 30 anos desde
o uso pioneiro do Diagnóstico Genético Pré-implantacional (PGD) para selecionar
embriões que demonstraram estarem livres de alguma mutação hereditária conhecida,
potencialmente em combinação com características adicionais que os tornariam
futuros doadores adequados de células-tronco para o tratamento de um irmão
doente. Embora o termo “bebê geneticamente modificado” seja amplamente
utilizado para mencionar as crianças nascidas por meio de PGD, ele nunca foi
uma descrição apropriada e precisa, visto que o procedimento se limitou a selecionar
a combinação de genes reunidos naturalmente; isto é, o procedimento de PGD
nunca pôde introduzir novos genes intencionalmente.
Um grande passo
para a alteração deliberada do DNA de um indivíduo veio na forma de uma segunda
tecnologia: a terapia gênica. O objetivo desta estratégia é o de superar as
doenças resultantes de duas cópias defeituosas de um gene por meio da adição de
uma cópia complementar funcional. Embora isso pareça relativamente simples, o
controle da realidade se mostrou mais complexo do que se esperava. Por exemplo,
o próprio processo de integração do novo DNA em um cromossomo existente (a fim
de facilitar a herança estável do gene extra) poderia causar danos adicionais e
gerar novos problemas. Dadas essas limitações, é provável que o
escopo dessa abordagem esteja restringido ao uso terapêutico e não ao aprimoramento
humano.
A capacidade real
de introduzir recursos adicionais em seres humanos por meio de seus genomas
surge em decorrência do sistema CRISPR, ou mais precisamente CRISPR-Cas9, para
edição do genoma. Houve algum sucesso na alteração de genomas de outras
espécies anteriormente com o uso de ferramentas conhecidas como nucleases de
dedo de zinco (ZFNs) e nuclease efetora semelhante ao ativador de transcrição
(TALENs) (Gaj et al., 2013). Contudo, destacamos que o uso do CRISPR não
é nada trivial, isto é, os ZFNs e os TALENs são consideravelmente mais
complexos, caros e ineficientes, portanto, eles rapidamente saíram da corrida
para aprimorar os seres humanos quando o último método foi identificado.
Não é exagero
afirmar que o CRISPR seja um divisor de águas; ele permite alterações
hereditárias nos seres humanos e confere plausibilidade à noção do transhumano
biológico e de bebês geneticamente modificados.
Uma das principais
dimensões da aplicação do CRISPR é o reconhecimento de que ele pode ser usado
para gerar quebras de DNA de fita dupla em um ponto predeterminado em quase
todos os genomas (o CRISPR foi originalmente identificado como um mecanismo de
defesa em bactérias, no qual o DNA de vírus invasores, como um bacteriófago, é
reconhecido de forma específica à sequência). Uma molécula de RNA é usada para
direcionar uma enzima cortadora de DNA chamada de Cas9 (proteína número 9
associada ao CRISPR) para a posição em um cromossomo onde você decidiu
introduzir um corte. É importante ressaltar que o fato de ser necessário somente
projetar uma molécula curta de RNA para alterar o local da quebra do DNA, ao
invés de reconstruir a própria enzima, é um fator crucial que distingue a
CRISPR-Cas9 das ZFNs e das TALENs. O contraste é equivalente em termos de
complexidade, ao mudar a música que você está ouvindo para colocar um CD
diferente em vez de reconstruir o seu HiFi (alta fidelidade) do início.
A quebra de uma fita dupla no DNA de
uma célula é uma grande ameaça à sua viabilidade contínua. Se a clivagem do DNA
fosse o fim da história (como seria para as bactérias que se defendem contra
vírus), isso não ofereceria nenhum potencial para a introdução de novos genes.
Para
isso, é necessário subverter os sistemas de reparo da célula. Como vários
processos podem contribuir naturalmente para a quebra do DNA, o corpo tem
sistemas ativados para amenizar o dano. Um desses mecanismos envolve a
recombinação homóloga (RH), também conhecido como reparo dirigido por
homologia. O RH aproveita o fato de haver dois conjuntos de nossos
cromossomos e realiza a restauração da sequência danificada, copiando a seção
equivalente do outro cromossomo. Para modificar intencionalmente ou introduzir
um gene totalmente diferente, como seria necessário para o aprimoramento, o
mecanismo de reparo precisa receber um modelo rival que possa ser enganado para
usar em vez da segunda cópia natural.
Pesquisadores
de todo o mundo estão empregando o CRISPR e métodos relacionados para modificar
diversos organismos. O CRISPR é usado extensivamente com células humanas. De
modo geral, esse trabalho é realizado em linhas de células cultivadas, tanto
para fins de pesquisa básica quanto, quando há expectativa de uso terapêutico,
para permitir que sejam feitas verificações apropriadas antes de qualquer
consideração sobre a transferência dessas células para um paciente (Wang et
al., 2014). Tais aplicações demonstraram, sem sombra de dúvida, que o
sistema CRISPR funciona. No entanto, ainda há motivos significativos para
precaução. É possível, por exemplo, acabar com o mosaicismo: uma população
mista de células em que ambas as cópias de um gene foram alteradas, algumas em
que uma foi alterada e outra não, e outras em que não ocorreram alterações. Também
existem possíveis problemas com “efeitos fora do alvo”, nos quais a Cas9 corta
o DNA em locais errados, causando alterações não intencionais no genoma.
Os
ajustes do método CRISPR convencional que reduzem algumas dessas
características indesejáveis estão sendo desenvolvidos. Por exemplo, foram
projetadas mutações no Cas9 que utilizam o direcionamento específico de
sequência do sistema CRISPR-Cas, mas restringem a clivagem a uma fita do DNA
(um cenário muito menos arriscado) e, ao mesmo tempo, introduzem novas
capacidades para alterar o DNA (Platt, 2019).
A
despeito das fragilidades predominantes, a CRISPR já foi empregada para alterar
o genoma humano hereditário em pelo menos uma ocasião. Em novembro de 2018, o
Dr. He Jiankui anunciou que havia modificado geneticamente meninas gêmeas,
alterando uma proteína chamada CCR5, explorada pelo HIV para entrar nas
células. Ele usou a CRISPR-Cas9 para alterar o gene da CCR5 nas meninas,
introduzindo uma mutação que criou uma versão não funcional dessa proteína e
que, portanto, deveria protegê-las contra o vírus.
A
implantação de um embrião geneticamente modificado no útero de uma mulher
continua sendo ilegal em todo o mundo. A comunidade científica internacional e
os bioeticistas, portanto, sentiram que He Jiankui havia sido prematuro ao
cruzar este limite. As autoridades chinesas concordaram, condenando-o a três
anos de prisão (Regalado, 2019). Embora esse seja o primeiro exemplo conhecido
em que alguém alterou intencionalmente o genoma humano hereditário, a
simplicidade do CRISPR torna altamente plausível que tentativas de realizar
outras alterações genéticas já estejam em andamento em algum lugar do mundo.
Este
pode ser um procedimento para criar transhumanos? Talvez não
inicialmente, mas o sistema CRISPR-Cas9 e as tecnologias relacionadas têm o
potencial não somente de mexer com os genes humanos existentes, mas também de
fornecer genes derivados de outros organismos ou até mesmo sequências
totalmente artificiais. Com exceção de certas limitações de
tamanho, a princípio deveria ser possível integrar qualquer gene ao genoma do
receptor, uma vez que a quebra de alvo tenha sido gerada. Poderiam
ser introduzidos novos atributos, incluindo ampliações radicais, um
termo usado para definir mudanças literalmente sobre-humanas (por exemplo, a
capacidade de voar) além das ampliações extraordinárias, isto é, a
capacidade de realizar alguma tarefa humana rotineira de forma não natural (por
exemplo, conseguir correr a 60 km/h) (Shook & Giordano, 2016).
Se
algo não puder ser alcançado em uma rodada de alterações, talvez seja possível
executar várias etapas para adicionar mais alterações progressivamente. Esse
procedimento já está sendo feito no caso de “humanização” de órgãos de suínos,
a fim de torná-los menos propensos a provocar rejeição quando transplantados em
um receptor humano (Begley, 2017). As lições aprendidas durante esses
procedimentos podem orientar futuras tentativas de alterar diretamente o genoma
humano. É importante observar também que, com uma combinação adequada de RNA guia
(gRNA) e modelos de DNA, seria possível para a CRISPR alterar vários genes
simultaneamente. Porém, é evidente que os problemas de
mosaicismo em potencial aumentam significativamente se o único resultado
aceitável for a edição correta em vários locais ao mesmo tempo.
Percursos eletromecânicos
para o aprimoramento humano
Para a segunda
dimensão do processo de aprimoramento, vamos considerar a situação atual das intervenções
eletromecânicas. É possível fazer uma distinção entre abordagens não invasivas,
isto é, aquelas que permanecem externas ao corpo, e aquelas que envolvem penetrar
literalmente a pele (invasiva). Como deve ser evidente, as abordagens não
invasivas constituem a “parte mais superficial” do espectro homem-máquina.
Para
muitos, isso não seria considerado verdadeiramente transhumanista, no entanto,
é no mínimo um alerta sobre até que ponto a tecnologia já desempenha um papel
em nossa vida biológica. Podemos trazer como exemplo a utilização dos
dispositivos vestíveis, tais como os Fitbits (Smartwatchs), para
registrar dados biométricos que influenciam nossas escolhas de estilo de vida
subsequentes. Um próximo passo seria o uso eletivo de métodos de estimulação
elétrica cerebral, como a estimulação magnética transcraniana (EMT) e
a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC ou tDCS), visando
melhorar o humor, a memória ou a aquisição de linguagem (Yazdi, 2020).
O fato de mudar o
foco para alterações invasivas representa inevitavelmente o cruzamento de um
limite ideológico e físico significativo. Em um nível, a inserção
de tecnologia no corpo implica o risco potencial de infecção, mas também
representa um compromisso mais profundo com a alteração. A
inserção de chips de identificação por radiofrequência (RFID) que podem se
comunicar por meio de dispositivos externos, armazenar números de PIN e outras
informações eletrônicas ou acionar a abertura de portas tem benefícios
tangíveis, por exemplo, para deficientes físicos. Por
outro lado, também há uma comunidade de entusiastas de modificações corporais
(grinders biohackers) que simplesmente querem ultrapassar os limites da
experiência humana. Por exemplo, é provável que os ímãs sejam
incorporados para permitir que o usuário tenha uma experiência maior de campos
magnéticos por motivos sensoriais e não médicos.
Conexão com a rede
Um passo maior é
dado quando as alterações invasivas envolvem a interação direta de um
dispositivo eletromecânico com o sistema nervoso central (SNC) do receptor. Essa
conexão pode ser feita pela coluna vertebral, por um nervo periférico ou
diretamente com o cérebro. Tais interfaces neurais não são somente
o tema de cenários futuros. Os implantes cocleares já superam as
deficiências do processo auditivo acústico normal, passando sinais elétricos
diretamente para o nervo auditivo, e a estimulação cerebral profunda, por
exemplo, para tratar distúrbios de movimento, envolve o envio de impulsos para
eletrodos implantados no cérebro.
No contexto
transhumanista, os desdobramentos significativos envolvem o controle de membros
protéticos neurais e aspectos mais amplos das interfaces cérebro-máquina (BMI
ou interface cérebro-computador – ICC). Assim como nas inovações anteriores, as
aplicações terapêuticas predominam atualmente, mas é fácil ver como os avanços
em próteses poderiam ser utilizados para o aprimoramento humano. Em
um estudo inovador, foram implantados eletrodos no córtex motor primário de uma
mulher tetraplégica (Collinger et al., 2013). A
partir de cabos conectados ao seu crânio, ela conseguiu operar um membro
protético simplesmente pensando no movimento pretendido.
Em outros locais,
os pesquisadores trabalham em dispositivos hápticos que transmitem informações
sensoriais como toque, pressão e posição do membro para o cérebro por meio de
micro estimulação intracortical. Em um estudo, um homem
com lesão na coluna vertebral foi solicitado a descrever os sentidos que ele
experimentou (embora como fantasma) com uma combinação de estímulos fornecidos
por meio de eletrodos implantados em seu córtex somatossensorial primário (S1)
(Salas et al., 2018). Uma segunda equipe obteve uma
sensação limitada de toque e pressão no cérebro de um homem paralisado, quando
conectou uma mão robótica à sua região S1 (Flesher et al., 2016).
A
ambição final destes estudos é obter um sistema de circuito fechado, ou seja,
bidirecional, combinando as informações de entrada sensorial e a resposta
motora. Isso
permitiria a “evolução” das habilidades motoras finas.
Cabe reiterar que,
até este ponto, a pesquisa se concentrou na reabilitação. Contudo, o fato de
grande parte do financiamento para esse trabalho ter origem na Agência de
Projetos de Pesquisa para o Avanço da Defesa dos EUA é um indicador de que
inovações desse tipo têm potencial tangível para fins de aprimoramento, por
exemplo, o controle de membros sobre-humanos para super-soldados. Avanços
mais abrangentes em relação aos ICMs incluem a “cognição aprimorada”, que
permite que alguém acesse instalações de computação remota diretamente de sua
mente. Isso
permite que eles realizem cálculos matemáticos complexos “em sua cabeça” ou
concedam uma percepção aprimorada de seus arredores, com a capacidade de
arquivar rotineiramente os dados coletados (Roelfsema, Denys, & Klink,
2018). Como
alternativa, deve ser possível fazer o download da fluência linguística
instantânea ou da capacidade de realizar alguma tarefa.
O desenvolvimento
de BMIs não depende somente da compreensão do cérebro, mas também de inovações
cibernéticas. Dentre eles, estão o aprimoramento da velocidade de
transferência de informações (Lebedev, Opris, & Casanova, 2018), bem como
os avanços na ciência dos materiais para proporcionar uma conexão estável e
eficaz entre o wetware orgânico do cérebro e o hardware
tecnológico.
A experiência com
os implantes cerebrais existentes destacou uma série de obstáculos que precisam
ser enfrentados. Estão incluídos: danos aos tecidos ao
redor dos eletrodos, degradação dos próprios eletrodos, perda de sinal devido
ao micro deslocamento das conexões na interface e o desencadeamento de
respostas imunológicas (Polikov, Tresco, & Reichert, 2005). A
biocompatibilidade e a longevidade dos eletrodos são uma das principais
prioridades. A estabilidade, as dimensões e a natureza baseada em
carbono dos nanotubos de grafeno os tornam particularmente atraentes para uma
série de aplicações biomédicas, inclusive para ICMs (Rauti et al.,
2019).
O processo de desenvolvimento de
interfaces cérebro-máquina é uma área de interesse ativo para o empresário Elon
Musk (Waldert, 2016). Sua empresa Neuralink é uma das várias
organizações que, segundo informações, estão próximas de realizar testes de ICMs
em humanos. A miniaturização tem sido uma das principais prioridades, sendo que
os fios nos quais os eletrodos para o ICM da Neuralink são agrupados são
aparentemente tão pequenos que é necessário um robô especializado para
posicioná-los no cérebro do receptor, evitando danos aos vasos sanguíneos.
Os
especialistas críticos argumentam que a programação (agenda) promovida por Elon
Musk é irreal e que ele não está considerando dificuldades fundamentais, como a
arquitetura exclusiva do cérebro de cada pessoa (Corbyn, 2019).
Qualquer
avanço nessas áreas reforçaria claramente as inovações discutidas anteriormente
com relação à operação de membros protéticos “inteligentes”, mas Musk é
transparente quanto ao seu desejo de ir além das aplicações terapêuticas e
alcançar a simbiose com a IA. Neste sentido, um IMC estável e
eficaz é a porta de entrada para a criação de ciborgues completos, nos quais o
cérebro é o único remanescente orgânico de um indivíduo que já foi humano.
Elon
Musk também imagina um mundo no qual você poderia arquivar versões de sua
memória da mesma forma que salvaria versões de um documento. É
preciso reforçar que ainda não é possível fazer isso, mas a ciência que pode
alcançar esse objetivo está definitivamente progredindo.
Outros
buscariam ir ainda mais longe: cortar qualquer vínculo com o “Eu” orgânico e carregar
essencialmente a consciência humana em computadores como uma “emulação do
cérebro inteiro” (Tirosh-Samuelson, 2018). Embora esse ser não
tivesse mais nenhuma matéria biológica, seria pós-humano, ainda assim teria
havido um tempo em que esses pensamentos e memórias estavam ligados a uma
pessoa física. Em contraste com um androide, um “ser” que
permanece inteiramente máquina, mas que manifesta características humanas.
Ciborgues... e quanto aos
androides?
Apesar de os termos serem usados, às
vezes, como se fossem intercambiáveis, ciborgues e androides são, de fato,
entidades diferentes, sendo que os últimos são robôs antropomórficos totalmente
artificiais. Diversos desenvolvimentos recentes têm visto crescentes apelos
para que os androides terem direito à personalidade. A
título de exemplo, em 2017, a Arábia Saudita concedeu cidadania a um robô
chamado Sophia e o Parlamento Europeu debateu a atribuição de responsabilidade
caso o robô de uma empresa seja considerado responsável por qualquer dano à
propriedade de terceiros (Giger et al., 2019).
Como
um androide nunca existiu em uma forma biológica incorporada, ele é
inevitavelmente, em certa medida, um “falso humano”, não um transhumano ou
mesmo um pós-humano. Portanto, considero que esse ser está fora do escopo de
nossa pesquisa atual.
Conclusão
A
previsão do prazo e da importância das inovações é notoriamente problemática. A
Lei de Amara (conforme citado em Brooks, 2017, p.79) afirma que “tendemos a
superestimar o efeito de uma tecnologia no curto prazo e a subestimar o efeito
no longo prazo”. As
metas do transhumanismo ainda não foram alcançadas. Porém,
os desenvolvimentos recentes em campos tão diversos quanto as interfaces
cérebro-máquina e a edição do genoma avançaram de forma inesperadamente rápida
e oferecem as indicações mais fortes de que a evolução além das restrições
naturais do Homo sapiens é viável.
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