terça-feira, 26 de maio de 2020

Podem zumbis pensar?

O que nos faz "superior" dos demais animais, criaturas ou objetos? A resposta mais sensata para tal questão é por que dotamos de racionalidade, isto é, pensarmos. A celebre frase de René Descartes: "Penso, logo existo"* é fundamental para compreendermos a filosofia moderna e a exaltação a racionalidade.
Se tomarmos como verdadeiro a frase de Descartes, podemos afirmar que um zumbi não é racional, pois além de ser um morto-vivo, uma criatura que não possui alma, também não é racional. Entretanto, o roteirista de quadrinhos estadunidense  Robert Kirkman e o filósofo australiano David Chalmers subvertem o estereótipo de zumbi. A partir desta desconstrução da imagem de zumbi (imagem consolidada através da cultura pop), de algum modo contribui para o debate sobre a consciência, um debate tão complexo e interessante para os campo da ciência, filosofia da mente e neurociência . 
Na minissérie de Kirkman, Zumbis Marvel, em uma realidade alternativa, em uma Planeta Terra semelhante ao nosso, porém existe uma fato peculiar nesta realidade, não existem humanos, apenas zumbis, para ser mais específico super-zumbis, de algum modo embaraçoso, todos os personagens conhecidos da Marvel transformam-se em zumbis (super-heróis e supervilões). Diferente dos heróis e vilões, os humanos não se transforma em zumbis, eles apenas são alimentos para os zumbis.
Entretanto, estes zumbis não apenas comedores de cérebros, de algum modo eles ainda possuem resquícios de consciência, isto é, mesmo sendo zumbis, eles podem raciocinar. Quando estão satisfeitos, os zumbis interagem entre si. Com a quase extinção de humanos, os zumbis começam a formular estratégias de como obterem alimentos para sobreviverem. Deste modo, o Quarteto Fantástico zumbi decide interagir com as demais realidades alternativas, ou seja, através de projeção holográfica, o  Reed Richards zumbi interage e manipula o Reed Richard de outra realidade (Ultimato) e convence este último a criar uma máquina de viagem interdimensional, ou seja, é possível viajar para as demais realidades. Com a conclusão da máquina, o Reed humano vai para a realidade do Reed zumbi, deste modo o personagem  percebe que foi enganado e corre perigo. 
Ainda no universo zumbi, de modo surpreendente as versões zumbis do Gigante, Homem de Ferro, Homem Aranha, Hulk, Luke Cage e Wolverine possuem poderes cósmicos!!! Deste modo, eles podem viajar pelo espaço para invadir outros planetas e saciarem a sua fome.
A minissérie de Kirkman põem em cheque a concepção de zumbis, isto é, existe a possibilidade de zumbis serem racionais. Se existe a possibilidade de zumbis serem racionais, o que diferencia um zumbi de um humano?
David Chalmers desenvolve o conceito de zumbi filosófico, a concepção de zumbi filosófico também diverge com a imagem já consolidada pela cultura pop. Segundo Chalmers o zumbi filosófico é semelhante ao ser humano, isto é, possui senso de humor, exerce as mesmas funções (pessoais, profissionais), também desenvolve o sistema sensorial  e sistema cognitivo, ou seja, em um primeiro momento é impossível distinguir de forma precisa um humano de um zumbi.
Chalmers então afirma que a distinção entre um humano e um zumbi é sutil, ou seja, o que realmente distingue um humano de um zumbi é a subjetividade, a consciência. Mesmo sendo um conceito nebuloso e abstrato para diversas áreas do conhecimento, Chalmers parte desta premissa, um humano possui consciência, um zumbi não. Por exemplo se espetarmos o dedo de um humano, o humano ira  sentir dor de fato, um zumbi ira simular as reações de dor, pois este não sabe o que é dor. O filósofo não propõem uma definição sobre o conceito de consciência, o filósofo esta interessado em investigar a subjetividade, a ontologia da mente. 
Para Chalmers, a partir destas análises a partir de uma interação interdisciplinar entre a filosofia, física, física quântica e a neurociência é possível uma compreensão mais aprofundada sobre o fascinante enigma que é o que denominamos como consciência.


*Para conhecer um pouco mais da filosofia de René Descartes ver:

Para assistir:


Para ler:

David Chalmers. The Conscious Mind (inglês).
Robert Kirk. Robots, Zombies and Us (inglês).
Robert Kirk. Zombies and Consciouness (inglês).
Robert Kirkman. Zumbis Marvel.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Filosofia, ciência e magia

Este texto é dedicado aos amigxs Alexandra Paulo, Genaine Leite, Gilberto Caldat, Rodrigo Mickus e Tawana Tábata.

Existe alguma relação entre filosofia, ciência e magia?!
Em um primeiro momento é comum afirmar que tais áreas não possui nenhuma relação ou que seja possível traçar um diálogo entre elas, pois as hipóteses desenvolvidas pela filosofia e a ciência são desenvolvidas a partir de pressupostos racionais e a magia é fruto da imaginação ou de algum delírio.
Entretanto, ao longo da história, de modo peculiar, tornou-se possível/relevante/interessante traçar algumas aproximações entre filosofia, ciência e magia. Pitágoras, filósofo da antiguidade, desenvolve junto com seus alunos estudos relacionado a matemática e astronomia, parte de suas investigações estão relacionados diretamente ao misticismo/esoterismo. Francis Bacon, Giordano Bruno e Isaac Newton também estão ligados ao misticismo, muitos de seus estudos, de natureza mística, contribuíram para o desenvolvimento da física moderna e contemporânea.
Deste modo, é possível afirmar que existem meios de aproximar estas áreas.
O que é vida? Uma questão fundamental para a filosofia, a ciência e também para as ciências ocultas.
A criatura Golem*, personagem da mitologia judaica, contribui para ilustrar a questão sobre a vida. O Golem é uma criatura inanimada, ou seja, não possui vida, a criatura apenas ganha vida quando um mago profere as palavras mágicas da Cabala.** O Golem tem a função de proteger e realizar os desejo de quem o despertou. Tomando como ponto de partida o mito do Golem é possível chegar a seguinte conclusão: não é possível chegar a uma resposta definitiva, ou seja, a questão sobre a vida esta aberta para inúmeras interpretações, mesmo não havendo como chegar a uma conclusão  concreta e/ou satisfatória, é possível apresentar algumas interpretações sobre o que seria a vida.
Segundo o cristianismo, o conceito de vida está diretamente ligado a Deus, isto é, a vida é um dom de Deus, ou seja, é um mistério, uma dádiva divina. A partir deste pressuposto metafísico cristão chegamos a conclusão de que a vida esta ligado a espiritualidade/misticismo.
Ao longo da história da filosofia, o conceito de vida foi interpretada das mais diferentes formas. Em alguns momentos relacionado a uma metafísica teológica, em outros momentos, uma metafísica racionalista.
Para a ciência, a questão sobre a vida torna-se fundamental para áreas como a biologia, física e química, mesmo com os avanços das teorias científicas e o avanço tecnológico, não há uma resposta que satisfaça a comunidade científica.
De algum modo, inquietações de natureza abstrata/metafísica como o que é vida envolve as áreas já mencionadas, deste modo, é possível construir um diálogo entre as respectivas áreas, deste modo contribuindo para a formulação de um saber.

* Ainda sobre o Golem, é possível traçar um paralelo com a criatura Frankenstein, personagem criado por Mary Shelley,o personagem bíblico Adão, sendo este ultimo, também uma criação originário do barro. A partir das reflexões do filósofo francês René Descartes sobre o autômato, é possível traçar um paralelo com o mito do Golem.  
** Método esotérico, pensamento místico judaico. 

Para assistir (filmes e vídeos):

Giordano Bruno, 1973


Para ler:

Aristóteles. Da Alma.
Aristóteles. Metafísica.
Alexandre Koyré. Do Mundo Fechado ao Universo Infinito.
E.E. Evans-Pritchard. Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande.
Frances Yates. Giordano Bruno e a Tradição Hermética.
Giordano Bruno. Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos.
Giordano Bruno. Mundo, Magia, Memoria.
Paul Feyerabend. A Ciência em uma Sociedade Livre.
Paul Feyerabend. Contra o Método.
Thomas Kuhn. A Estrutura das Revoluções Científicas. 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Zumbis e alienação

A trilogia dos mortos-vivos produzidos pelo diretor estadunidense George Romero (1940 - 2017) contribuiu para a consolidação do zumbi como ícone da cultura pop. Na contemporaneidade os seus filmes são tidos como cult, ou seja, todo cinéfilo deve assistir esses filmes.
Mesmo sendo voltado para o entretenimento, os filmes de Romero podem ser interpretados como uma metáfora A sociedade contemporânea, isto é, uma crítica social, abordando temas como a alienação, consumismo e racismo.
O que é um zumbi? Comumente o zumbi é retratado como um morto-vivo reanimado, isto é, um indivíduo sem vontade própria, sem personalidade, além destas características, o zumbi é uma criatura agressiva, ou seja, os mortos-vivos alimentam-se de criaturas vivas, deste modo, os vivos, são alvos fáceis dos comedores de cérebros.  
Uma possível interpretação sobre o filme de Romero, Despertar dos mortos (1978) é a crítica a sociedade consumista norte-americana, isto é, uma crítica ao capitalismo. 
A trama inicia com o caos instaurado em solo americano, isto é, o apocalipse zumbi já é uma realidade, um grupo de remanescentes encontram um shopping, os integrantes decidem fazer o shopping o seu novo lar (fortaleza). A escolha do shopping não é por a caso, alguns integrantes do grupo de sobrevivente alega que eles tem tudo o que precisam neste lugar, deste modo, não é preciso sair para encontrar um lugar mais eficiente e seguro. Mesmo presenciando o apocalipse os sobreviventes ainda estão preocupados com o seu bem-estar, ou seja, a sensação de comodismo e prazer proporcionado pelo capitalismo. A partir desta perspectiva é possível traçar um paralelo com o de alienação. 
O que é alienação? A partir das reflexões do pensador alemão Karl Marx (1818 - 1883), a alienação esta diretamente relacionado com a produção do capital. A alienação é o resultado da relação do empregador e trabalhador, na qual o trabalhador de forma bruta esta contribuindo para o aumento do capital de seu empregador, sendo este último não retribuindo de forma satisfatória ao empregado, ou seja, o empregado tornou-se dependente do empregador para ter o mínimo que mantenha  sua sobrevivência, a sua vida se resume a condições mínimas para sobreviver através de seu trabalho prestado, enquanto isso, o empregador, obtém grande parte do lucro.
Ou seja, os zumbis de George Romero é uma alusão ao conceito de alienação/alienado de K. Marx, ou também, a proliferação da horda zumbi pode ser interpretada como o avanço selvagem do capitalismo, ou seja, o capitalismo oferece uma zona de conforto/felicidade de modo superficial, enquanto isso o indivíduo não percebe como tornou-se dependente do capitalismo.No entanto, a partir desta problemática, surge outra questão, como tornar-se desalienado, a proposta de Marx é a união universal dos trabalhadores e criarem uma revolução, consequentemente, surgiria um Estado socialista e como estágio final um Estado comunista.
Mas observando as inúmeras realidades que há na contemporaneidade, a revolução do proletariado é suficiente reduzir os danos causados pelo capitalismo selvagem? Seria necessário novas análises, reflexões para compreender as inúmeras realidades e complexidades que há na contemporaneidade encontrar um modelo plausível e satisfatório que substitua o capitalismo. Com os avanços tecnológicos a alienação tornou-se mais violento e normativo, isto é, faz parte do cotidiano da sociedade, deste modo, é necessário refletir para uma além revolução proposta por Marx...


Para assistir (filmes):


Para assistir (vídeos):


Para ler:

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Seria a franquia Uma Noite de Crime uma alusão ao anarquismo?

A franquia Uma noite de crime, dirigida por James DeMonaco possui um posicionamento político claro: a de tecer críticas aos governos que adotam políticas neoliberais e conservadoras. Mesmo possuindo um posicionamento alinhado ao campo progressista, é possível traçar um paralelo entre os filmes de DeMonaco com o anarquismo?
Toda franquia se passa em um futuro próximo, devido as diversas crises que o país passou, o Estado Norte-americano adota  uma vez ao ano, 12h de expurgo, isto é, 12h sem lei, onde todos podem extravasar, ou seja, roubos, assassinatos são permitidos e são e assegurados pelo Estado, após essas 12h de expurgo, tudo volta a rotina, como nada tivesse acontecido.
Devido a essa premissa é possível traçar um paralelo com o anarquismo, entretanto, Uma noite de crime não é uma alusão ao anarquismo, mesmo havendo violência gratuita de maneira explícita, a franquia tem como finalidade a de revelar como as classes sociais mais altas se aproveitam do momento para dizimar a classe mais pobre da forma mais violenta possível e que suas atitudes sejam protegidas pelo Estado, sobre o pretexto de ser a noite de expurgo.
Ao longo das tramas fica claro quem são os principais afetados na noite de expurgo, as comunidades periféricas, ou seja, a população menos privilegiada economicamente, os moradores de ruas e a população negra também são alvos fáceis. A metáfora da noite de expurgo é uma crítica ao capitalismo, ou seja, ao sistema as políticas neoliberais. O neoliberalismo tem como principio o Estado mínimo, ou seja, pouca interferência do Estado com as políticas públicas e mais liberdade individual.
Como também é retratado no filme, o modelo neoliberal esta fadado ao fracasso, isto é, ao neoliberalismo contribui para o aceleramento do colapso do sistema capitalista. De algum modo, os filmes convidam o espectador a refletir sobre a política contemporânea e as políticas adotadas pelas respectivas nações, quais são os impactos destas escolhas políticas, quais são as consequências do neoliberalismo em certos grupos sociais, mesmo tecendo uma crítica ao capitalismo, cabe levantar a seguinte questão: qual é a alternativa além do capitalismo? 

Para assistir (filmes e série):

A primeira noite de crime, 2018.
Uma noite de crime, 2018 - 
Uma noite de crime, 2013.
Uma noite de crime 2: Anarquia, 2014.
Uma noite de crime 3: Ano de eleição, 2016.

Para assistir (vídeos):


Para ler:

Caio Túlio Costa. O que é anarquismo.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Ficção científica e filosofia

Responder o que é ficção científica é tão audaciosa quanto  responder o que é vida ou o que é filosofia. Oficialmente o gênero literário ficção científica surge com a publicação da obra Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818), da inglesa  Mary Shelley, entretanto, obras anteriores ao lançamento de Frankenstein como A República  (367 a.C.), de Platão, História Verdadeira (séc. II), de Luciano Samósata, A Nova Atlântida (1629), de Francis Bacon, Somnium (1634), de Johannes Kepler também são consideradas como ficção científica, ou que contribui para a formulação do gênero. Além de Mary Shelley, o também inglês H.G. Wells e o francês Júlio Verne também são tidos como os pioneiros da ficção científica. Com a consolidação do cinema, surge em 1902 o primeiro filme de ficção científica: Viagem à lua, dos irmãos Méliès. O filme é uma adaptação das obras literárias Da Terra a Lua (1865), do Júlio Verne e Os Primeiros Homens na Lua (1901), de H.G. Wells.
Em poucas palavras é possível afirmar que a ficção científica apresenta os avanços da tecnologia científica e quais são os seus impactos na sociedade, seja de modo positivo, negativo e/ou de modo relativo/banal, ou seja, a ficção científica pode ser interpretada como divulgação científica, sátira e crítica social. 
Deste modo questões como o que é a ciência/técnica? e qual a sua relevância/impacto na vida de uma determinada sociedade começam a fazer sentido. Também é possível traçar um paralelo entre a ficção científica com a filosofia, pois, tópicos abordados na ficção científica são pertinentes à filosofia. 
Trazendo para a contemporaneidade questões como autoritarismo, cibernética, ética e existencialismo são temas recorrentes na F.C.*
A trilogia Matrix (1999 - 2003), das irmãs Wachowskis é uma produção cinematográfica que possui grande influencia da vertente cyberpunk, além disso, a trilogia também recebe influência da filosofia ocidental e filosofia oriental, sendo este último em um sentido mais metafísico. No primeiro filme há um easter egg filosófico, em uma cena o personagem Neo apanha o livro Simulacros e Simulação (1981), do filósofo francês Jean Braudrillard. Entretanto, este não é a única menção a filosofia. Um dos personagens mais emblemático do filme é Morpheus:
"O que é real? Como define real? Se você está falando do que pode ser cheirado, provado e visto, então real é simplesmente um sinal elétrico interpretado pelo nosso cérebro."
Seria a realidade uma simulação, ou nas palavras de Platão, seria a realidade apenas sombras? Existe algum modo de conhecer o real? Um questionamento que perpassa de Platão até Zizek.
No filme Blade Runner: O Caçador de Androides (1982), de Ridley Scott. Deckard conhece a androide Rachel, uma androide com memórias humanas. Depois de uma breve conversa, porém tenso e uma série de eventos, surge um fenômeno estranho entre os dois personagens, um relacionamento amoroso.
Poderia um humano relacionar-se amorosamente com uma androide? O que faz de Deckard um humano e Rachel uma androide? Uma tentativa de encontrar uma solução para esta problemática é recorrer ao filósofo francês René Descartes. Para Descartes o que distingue o homem do animal é a racionalidade e a alma. A partir desta proposição o filósofo ira desenvolver o seu raciocínio, na qual mais tarde ira culminar no racionalismo.
Em Frankenstein há problemas semelhantes como a de Blade Runner, entretanto, é Shelley que pela primeira vez que ira apresentar aos seus leitores a ideia de inteligência artificial (I.A.). Questões sobre que é consciência e o que é inteligência artificial podem ser exploradas a partir da obra de M.S. Filósofos analíticos como Daniel Dennett, David Chalmers, João de Fernandes Teixeira e John Searle são alguns que debruçam sobre esse tema.
Outro trabalho cinematográfico de Ridley Scott  Prometheus (2012), é apresentado o emblemático o robô David, criado pelo magnata Peter Weyland, ao longo da trama vemos uma relação entre os dois, ou seja, existe a clara alusão ao revolta da criatura contra o seu criador, no entanto, David também pretende criar vida, para demonstrar a sua superioridade ao seu criador. Deste modo, surge o problema da criação, Deus existe, porque ele nos criou, existe um propósito para a humanidade, o livre-arbítrio existe ou tudo esta determinado? Santo Agostinho, Kant e Sartre são alguns  nomes que abordará  estes grandes temas em suas reflexões.
Assim como a filosofia é um campo de estudos inesgotável devido a sua amplitude, a ficção científica também é um campo inesgotável, deste modo, provocações e reflexões sobre o rumo da humanidade irão perdurar, pelo menos até a humanidade existir...

*Para não ser repetitivo demais será usado a abreviação de ficção científica F.C.

Para assistir (filmes):

2001: Uma Odisseia no Espaço, 1968.
A.I. Inteligência Artificial, 2001. 
Akira, 1988.
Alien, o Oitavo Passageiro, 1979.
A Chegada, 2016.
Blade Runner: O Caçador de Androides, 1982.
Blade Runner 2049, 2017.
Efeito Borboleta, 2004.
Eles Vivem, 1988.
Ex_Machina: Instinto Artificial, 2014.
Exterminador do Futuro, 1984.
Frankenstein, 1931.
I Am Mother, 2019.
Interestelar, 2014. 
Invasores de Corpos, 1978.
Matrix, 1999.
Metrópolis, 1927.
O Dia que a Terra Parou, 1951.
O Enigma de Outro Mundo, 1982.
O Homem Invisível, 1933.
O Homem Invisível, 2020.
O Homem sem Sombra, 2000.
Os Doze Macacos, 1995.
Planeta dos Macacos, 1968.
Prometheus, 2012.
Time Lapse, 2014.
Uma História de Amor e Fúria, 2013.
Viagem à Lua, 1902.
Westworld, 1973.

Para assistir (séries):

3%, 2016 -
Altered Carbon, 2018 -
Black Mirror, 2011 - 
Dark, 2017 -
Doctor Who 2005 - 
Project Blue Book, 2019 -
Rick and Morty 2013 -
Star Trek, 1966 - 1968.
Terminator: The Sarah Connor Chronicles, 2008 - 2009.
The Origin (2018).
The Outer Limits, 1963 - 1965.
The Twilight Zone, 1959 - 1964.
The Twilight Zone, 2019 -
X-Files, 1993 - 2018.
Westworld, 2011 -

Para assistir (youtube):


Para ler:

Aldous Huxley. Admirável Mundo Novo.
Arthur C. Clarke. 2001: Uma Odisseia no Espaço. 
George Orwell. 1984.
H.G. Wells. A Guerra dos Mundos.
H.G. Wells. A Ilha do Dr. Moreau.
H.G. Wells. A Máquina do Tempo.
H.G. Wells. O Homem Invisível.
Héctor Gérman Oesterheld e Francisco Solano Lopéz. O Eternauta.
Isaac Asimov. Eu Robô.
Isaac Asimov. O Fim da Eternidade.
Júlio Verne. Viagem ao Centro da Terra.
Júlio Verne. Vinte Mil Léguas Submarinas.
Mark Rowlands. Scifi=scifilo.
Mary Shelley. Frankenstein ou o Prometeu Moderno.
Paolo Eleuteri Serpieri. Druuna.
Philip K. Dick. Androides sonham com ovelhas elétricas?
Ray Bradbury. Fahrenheit 451.
William Gibson. Neuromancer.
William Irwin. Matrix - Bem-vindo ao deserto do real.


sábado, 11 de abril de 2020

HQs e os anos 80

Comumente as HQs são tidas como meros produtos de consumo, isto é, de entretenimento ou que não devem ser levados a sério, pois não propõem uma reflexão sobre alguma temática. Certamente os anos 1980 é um marco para a histórias em quadrinhos norte americanos. Nomes como Alan Moore (1953 - ), Art Spiegelman (1948 - ), Frank Miller (1957 - ), Grant Morrison (1960 - ) e Neil Gaiman (1960 - ) contribuíram para um novo olhar sobre as HQs, posteriormente alguns trabalhos destes autores tornaram graphic novels, ganhando prêmios como o Pulitzer e ganhando legitimidade como gênero literário.
Quadrinhos de super-heróis como Batman a Piada Mortal (1988), Batman o Cavaleiro das Trevas (1986), Miracleman (1982) e Monstro do Pântano (1983-1987)*, Surfista Prateado Parábola (1988) e Watchmen (1986-1987) deixaram as suas marcas no gênero. Nas obras mencionadas os personagens são mais humanizadas, isto é, não são mais tidos como personalidades com características messiânicas, são vigilantes mascarados extremamente violentos apenas preocupados com seu ego, ou seja, o conceito de herói clássico comumente retratados nos quadrinhos são desconstruídos, questões éticas podem ser levantadas a partir deste ponto, para ilustrar esta desconstrução do herói podemos citar a graphic novel Watchmen, sendo mais especifico o vigilante mascarado  Comediante. Mesmo sendo considerado como um herói, as atitudes do Comediante não condiz com tal: criminoso de guerra, estuprou sua colega de grupo, mata seus inimigos, mesmo tendo com esses feitos, o Comediante possui o consentimento do Estado estadunidense para agir. Deste modo, é correto que Watchmen crítica e satiriza a imagem do super-herói. Se houvesse combatentes do crime mascarados na vida real eles seriam psicopatas. A saga do Alan Moore em Monstro do Pântano levanta uma serie de questões relacionado ao meio ambiente. Surfista Prateado Parábola problematiza o discurso político, na obra é apresentado as consequências do discurso político em uma sociedade alienada, pois trará consequências como o fanatismo religioso e o discurso de ódio, deste modo fragiliza a democracia. 
Saindo do nicho dos super-heróis temos Maus, uma graphic novel escrita e ilustrada por Art Spiegelman, Maus narra o relato de um sobrevivente judeu (pai do autor) no campo de concentração polonês de Auschwitz. Além de levantar questões existenciais e políticas, a obra relata as mais duras consequências das medidas tomadas de um Estado extremista como o regime nazista, ou seja, as escolhas políticas devem ser analisadas de maneira cautelosa, pois trará consequências ao longo da história, sejam elas positivas ou negativas. 
Deste modo, torna-se visível que a década de 1980 é um marco para as histórias em quadrinhos, pois ela não é vista como um produto infantil e de entretenimento. Ou seja, a leituras e interpretações das HQs são tidas como ponto de partida ou aprofundamento de alguma analise de caráter crítica/reflexiva.

*Ambas as histórias foram escritas por Alan Moore.

Para assistir:


Para ler:

Alan Moore. A Saga do Monstro do Pântano.
Art Spiegelman. Maus.
Gian Danton. Watchmen e a Teoria do Caos.
Grant Morrison. Homem Animal o Evangelho do Coiote.
Stan Lee e Moebius. Surfista Prateado Parábola.
Willian Irwin (org.). Super Heróis e a filosofia.
Willian Irwin (org.). Watchmen e a filosofia.

Para ouvir:

terça-feira, 7 de abril de 2020

Cinema e filosofia

A filosofia é um vasto campo de estudo, também é uma área do conhecimento que possibilita o diálogo com as demais áreas do conhecimento, um diálogo possível é com as artes visuais, para ser mais específico, com o cinema.
Embora o cinema seja visto com maus olhos, isto é, uma produto da cultura de massa, consequentemente uma ferramenta para a alienação. Entretanto, as produções cinematográficas tem contribuído para reflexão, seja no espaço acadêmico ou não acadêmico. Filmes como Blade Runner, de Ridley Scott levantam questões existenciais como o que é ser humano? O que significa ser humano em um mundo onde androides (a cada geração fica mais difícil  distinguir um androide de um humano) convivem e interagem diariamente? O filme Planeta dos Macacos, de Franklin J. Schaffner também convida o espectador a refletir sobre os avanços da ciência, na qual pode causar a própria destruição da humanidade. A trilogia dos mortos-vivos de George Romero é uma crítica social, uma metáfora para trazer a tona problemas como a alienação/ausência do senso crítico nos personagens que de alguma forma representa o Estado (ou o que sobrou do Estado) e o consumismo. A aproximação do cinema com a filosofia também também serve como ferramenta didática em sala de aula, seja no ensino básico (fundamental e médio) ou superior.
Assim como a filosofia, as produções cinematográfica expressa/manifesta e problematiza os eventos de sua época, filmes como Uma noite de crime (2013), de James DeMonaco; Bacurau, de Kleber Mendonça Filho;  Joker (2019), de Todd Phillips e Parasita (2019), de Bong Joon-ho são pertinentes para pensar o cenário político contemporâneo. 
Embora os filmes mencionados pertençam a gêneros diferentes e o público-alvo seja diferente, os filmes possuem pontos em comum: a desigualdade social e lutas de classe. Todas as obras fazem questão em explicitar a desigualdade social, também é apresentado de que a partir de certos eventos (exceto os filmes Parasita e Uma noite de crime) uma revolução social violenta é inevitável. 
Deste modo, estas produções causam desconforto nos espectadores, Bacurau surge num período delicado do cenário político brasileiro, além do filme ser uma desconstrução do estereótipo da cidade remota e seus moradores serem ingênuos e pacíficos ou de que a cidade não possui uma identidade própria. O filme de Todd Phillips também flerta com a ideia de uma revolução social numa Gotham City decadente a partir das atitudes do Coringa, na qual, de modo superficial (errônea) uma revolução anarquista. Ou seja, muitas das produções cinematográficas de 2019, são enquadrado como uma crítica a violência desproporcional promovido pelo capitalismo, ou seja, são filmes que possuem um viés político. 
Mesmo possuindo um viés político e outras camadas subjetivas, o cinema proporciona a filosofia experiência positiva, isto é, o diálogo entre cinema e filosofia, contribui para o debate publico sobre diversos temas e diversas perspectivas.

Para assistir (filmes):

2001: Uma Odisseia no Espaço, 1968.
A Ilha, 2005.
A Noite dos Mortos-vivos,  1968.
Bacurau, 2019.
Blade Runner: O Caçador de Androides, 1982.
Despertar dos Mortos-vivos, 1978.
Ela, 2014.
Frankenstein, 1931.
Hamlet, 1948.
Joker, 2019.
Matrix, 1999.
O Homem Invisível, 1933.
O Mestre, 2013
O Poço, 2019.
O Sétimo Selo,  1957.
Parasita, 2019.
Planeta dos Macacos, 1968.
Tempos Modernos, 1936.
Você não conhece Jack, 2010.

Para assistir (youtube):

A estética do cinema por Walter Benjamin.
Bacurau é bom?
Bacurau: A verdadeira polarização. 
Cinema e filosofia.
Cinema e filosofia: Os filósofos de Rossellini.
Cinéphilosophie: Philosophy goes to the movies (inglês).
Coringa é bom?
Curso de filosofia contemporânea FBP: Deleuze e o cinema. 
Descobrindo a filosofia com Pondé: Filosofia no cinema.
Parasita é bom?
Parasite: Perfecting class critique (inglês)
Ser parasita (2019) é inevitável no capitalismo
Slavoj Zizek. O guia pervertido do cinema (legenda em espanhol).
The philosophy of Christopher Nolan, part 01 (legenda em português).
The philosophy of Christopher Nolan, part 02 (inglês).
The philosophy of Christopher Nolan, part 03 (inglês).
The philosophy of Miyazaki (legenda em português).

Para ler:

 Alessandro Reina. Filosofia e Cinema: O uso do filme no processo-aprendizagem da filosofia (dissertação de mestrado).
André Bazin. O que é cinema?
Clóvis Gruner. A cidade como filme: Cinema e cultura moderna na Curitiba da Primeira República.
David Bordwell; Kristin Thompson e Roberta Gregoli. A arte do cinema: Uma introdução.
Gilles Deleuze. Cinema 1: A Imagem-movimento.
Gilles Deleuze. Cinema 2: A Imagem-tempo.
Jean-Claude Bernadet. Cinema brasileiro: propostas para uma história.
Jean-Claude Bernadet. O que é cinema.
Julio Cabrera. O Cinema pensa: Uma introdução à filosofia através dos filmes.
Laura Aidar. Bacurau: Análise do filme.
Laécio de Almeida Gomes. A filosofia e o cinema catástrofe: "O dia depois de amanhã" e a relação Homem x Natureza.
Renato Dias Baptista. "Bacurau" e "Parasita": Alegorias políticas contemporâneas.
Rodrigo Cássio Oliveira. Os diferentes olhares da filosofia sobre cinema.
Rodrigo Nunes. 'Bacurau' não é sobre o presente, mas o futuro.
Serguei Einsenstein. A forma do filme.
Serguei Einsenstein. O sentido do filme.
Theodor Adorno e Max Horkheimer. Dialética do esclarecimento.
Yuri Ferreira. 'Bacurau' e 'Parasita' se encontram na lutas de classe e no espírito de resistência.